Guia Filmes 2026
Tristinho Para Sempre
10 Julho (11:00, 49')
Pela primeira vez, o Triste Para Sempre desdobra-se numa nova categoria muito importante: lágrimas infantis de pequenos tristinhos. Esta sessão, mais breve e mais recheada de animações, contempla vários temas diferentes, garantindo um contacto com a melancolia jovial e emocionante.
“(A)stray” é uma impressionante curta-metragem de stop motion. Acompanhamos um cão vadio que procura abrigo e comida e, ao invés disso, encontra sempre dificuldades e desafios. “The Wooden Crown”, animação mista de 2D e stop motion sem falas, invoca a nostalgia das brincadeiras dos avós e o desejo impossível da sua imortalidade. Ainda no tema dos avós, assistimos a “Sequencial”, também 2D e stop motion, e navegamos pelo medo e pela reconciliação dentro do amor familiar. Seguros de que tudo passa, mesmo as coisas menos boas. E para finalizar, juntamo-nos a “Rui Carlos” e aos seus amigos num animado jogo de futebol, onde grandes e pequenos se enfrentam com muita garra.
As peripécias não acabam, existem desilusões adequadas a todas as idades e esta é a única sessão onde deixámos escapar alguns finais (ligeiramente) felizes.
Autoria: Carolina Serranito
Summertime Sadness
10 Julho (19:00, 83')
Comprar BilhetesDiz-se que ficamos mais tristes nos dias de chuva — o que não quer dizer que o oposto seja necessariamente verdade. No Triste Para Sempre, achamos importante que a tristeza esteja presente em todas as estações do ano: dedicamos por isso esta sessão quente, solarenga e estival às lágrimas derramadas durante o Verão.
Depois de um dia de praia, em “Francisco Perdido”, de Frederico Mesquita, o pequeno Francisco é confrontado com algumas coisas duras da vida, algumas até mais chatas do que lhe roubarem o telemóvel. “Nós”, de Vasco André dos Santos, mostra-nos dois ex-namorados numa última noite juntos, daquelas que nos mantêm acordados até ao nascer do sol. Em “Isle of Mia”, de Miguel Pinto e Francisco Morais, uma rapariga que sempre manteve uma vida insular pondera quebrar com o passado no final das férias lectivas. “Gallina”, de Fernando Reinaldos, apresenta-nos a complexa dinâmica infantil entre um rapaz de dez anos, a sua irmã, e o seu melhor amigo, com uma galinha da avó no centro traumático dos eventos. “Bright Summer Days”, de Nevena Desivojevic, é uma elegia aos dias parados no âmbar: fotografias, grilos, cigarras e passado.
Autoria: Rafael Silvestre Fonseca
Sessão de Abertura
10 Julho (21:30, 86')
Comprar BilhetesPara inaugurar o Triste Para Sempre 2026, começamos com uma sessão calma e muito íntima. Visitamos os diários de duas personagens que, de formas diferentes, sofrem com o contexto em seu redor e assistimos, de muito perto, às suas expressões de desconforto.
Em “Diário Antecipado”, a primeira curta metragem de João Sarantopoulos, uma professora deslocada relata a sua angústia perante as discrepâncias sociais vividas no Alentejo profundo dos anos 60. A um ritmo lento, seguimos as palavras íntimas da mulher que resiste à densidade de uma aldeia que batalha contra o progresso. Mantendo o tom literário e pessoal, assistimos à longa metragem “Somos dois abismos”, de Kopal Koshy. Esta obra, profundamente comovente, acompanha Carlos, um idoso viúvo, que se encontra num estado extremo de isolamento e solidão. As cartas que escreve para a falecida esposa são vulneráveis manifestos de amor e de saudade, que apenas podemos aceder graças à sensibilidade da realizadora.
Esta sessão promete fazer derramar várias lágrimas, principalmente aos corações mais delicados.
Autoria: Carolina Serranito
Caminhar sobre as raízes
11 Julho (14:15, 106')
Comprar Bilhetes“Caminhar sobre as raízes” é uma sessão especialmente dedicada a pequenos lugares portugueses, onde as tradições estão enraizadas nas pessoas de forma profunda, e por onde o tempo estranha a sua passagem.
“Campos Belos” de David Ferreira é uma curta notável pelo seu trabalho de plano-sequência. O filme acompanha um menino que caminha sem parar, num percurso extremamente familiar. A curta invoca, subtilmente, a expectativa de vida de quem nasce num sítio pequeno, sem nunca o desafiar demasiado. “Deuses de Pedra”, por outro lado, é uma longa metragem documental que levou 14 anos a ser filmada por Iván Castineras Gallego. Nesta obra, como na anterior, seguimos uma menina na sua pequena terra e contemplamos todas as transformações geográficas, sociais e emocionais que atravessam a distante aldeia de Moimenta e a família de Mariana.
Esta sessão reúne duas obras que trabalham sobre o significado de ruralidade, tradição e preservação, com as suas vantagens e dificuldades.
Autoria: Carolina Serranito
Para onde foi a mãe?
11 Julho (17:00, 96')
Comprar Bilhetes“Para onde foi a mãe?” é uma sessão na forma de uma pergunta, construída ao redor de uma ausência, portanto — debruçada sobre o mundo que essa ausência deixou. Esse mundo é o de uma infância colocada num ponto de inflexão, seja ele banal e suave, como no caso de uma mãe que quer ter o Sábado para si, em “Porque Hoje É Sábado”, de Alice Eça Guimarães, ou severo e transformador, como na estratégia utilizada para recuperar a progenitora em “À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe”, de Gonçalo Waddington.
Estas mães não são, no entanto, simples produtoras de efeitos nas suas crianças. Dentro das mesmas paredes onde floresce o pequeno mundo à sua guarida, existe o gigantesco mundo da sua interioridade. Por vezes, têm sucesso em guardá-lo para si: é o caso de Leonor, nanny da pequena Vera em “Praia de Pedra”, de Sofia Bost, que se apresenta como forte e capaz de aguentar toda a angústia da menina. Por vezes, não conseguem evitar que as suas paredes se desmoronem: em “Finir au solei”, de Ephrem Koering, a mãe de Louis, talvez uma daquelas pessoas das que se apelidam “regretful parents”, está saturada no que toca à conciliação da sua vida doméstica com a pessoal, e amorosa, que tenta edificar.
Em todas as quatro curtas, portanto, a mesma pergunta, a mesma tristeza. Porque o dia desta sessão é Sábado, a mãe estará em casa, é evidente que é dia de estar com ela, comer os seus cozinhados, receber a roupa lavada e brincar, sem que esta desapareça.
Quando não houver mais mãe, quando derradeiramente não soubermos para onde ela foi, se saiu deste mundo ou se de alguma forma habita ainda o corpo e mente dos seus filhos, poderemos observar as últimas consequências a que é levada a nossa questão.
Autoria: Rafael Silvestre Fonseca
Os Abandonados
11 Julho (19:30, 96')
Comprar BilhetesQuatro filmes, muitos sujeitos abandonados. Em “Tapete Voador”, de Justin Amorim, inspirado nas histórias das vítimas do caso Casa Pia, acompanhamos um grupo de adolescentes num quadro específico de um tempo, de um lugar, e de uma realidade social em Portugal, um quadro que configura evidentemente o abandono destes jovens à sua sorte, contando apenas uns com os outros. “The Tide”, de Haowen Geng, mostra-nos duas mulheres, sogra e nora, pescadoras de moluscos, precárias. Estão agora sozinhas, no seguimento do desaparecimento do filho e marido, a tentar perceber o que se segue. Em “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, há um cão abandonado na colina junto de casa, um avô a passar por uma viuvez, uma protagonista que regressa de Londres, local onde se sentiu “mais sozinha que nunca”. O abandono em “Judite, ou a Primeira Revolta” é aquele da parte de Deus, talvez o derradeiro: Judite é uma sacristã, tem o marido em casa com demência, o padre não lhe presta muita atenção, os céus também não. Vamos juntar-nos todos nesta sessão, tentar que ninguém se sinta sozinho.
Autoria: Rafael Silvestre Fonseca
A Terra Devastada
11 Julho (22:10, 82')
Comprar Bilhetes“A Terra Devastada”, título emprestado ao poema de T.S. Eliot, também a recordar a área industrial que é um “vale de cinzas”, no romance The Great Gatsby, é, no nosso festival, uma coisa própria, uma sessão que apresenta e se situa num compósito: um compósito de uma cidade — portuguesa — nocturna, barulhenta, habitada por sujeitos atomizados, percorridos por um mal-estar urbano, sobreviventes num lugar de “barulho e pó”, como afirma uma das personagens de “Consolação”. Ouvimos carros a passar, há coisas insanáveis entre as pessoas, sentem-se epifanias nas ruas e nas memórias soterradas.
Em “Arguments in Favor of Love”, de Gabriel Abrantes, o mundo lá fora já acabou: restam os últimos estertores das relações afectivas. Em “Consolação”, de Marianne Harlé, uma mãe e duas filhas, que vivem ao lado de uma pedreira, ficam acordadas pela noite dentro. Há tristeza a acontecer por toda a cidade: em “Carro Ultra Passado”, de João Salgado, filmado dentro de um carro, um homem despede-se do mesmo, à procura de alguém que o compre. “Nuno”, de Nuno Taborda, filme psicadélico, onde os becos são palco para a transmigração das almas. Em “Andar com Fé”, de Duarte Coimbra, um amigo está soterrado por baixo de Lisboa, talvez há muito tempo. Em “J.”, de António Pinhão Botelho, saímos de debaixo dos escombros, num filme que foi rodado em 2015 e que vê agora a luz do dia. A sessão cobre um arco, talvez optimista: amanhece, de facto, no fim.
Autoria: Rafael Silvestre Fonseca
Tristinho Para Sempre
12 Julho (11:30, 49')
Comprar BilhetesPela primeira vez, o Triste Para Sempre desdobra-se numa nova categoria muito importante: lágrimas infantis de pequenos tristinhos. Esta sessão, mais breve e mais recheada de animações, contempla vários temas diferentes, garantindo um contacto com a melancolia jovial e emocionante.
“(A)stray” é uma impressionante curta-metragem de stop motion. Acompanhamos um cão vadio que procura abrigo e comida e, ao invés disso, encontra sempre dificuldades e desafios. “The Wooden Crown”, animação mista de 2D e stop motion sem falas, invoca a nostalgia das brincadeiras dos avós e o desejo impossível da sua imortalidade. Ainda no tema dos avós, assistimos a “Sequencial”, também 2D e stop motion, e navegamos pelo medo e pela reconciliação dentro do amor familiar. Seguros de que tudo passa, mesmo as coisas menos boas. E para finalizar, juntamo-nos a “Rui Carlos” e aos seus amigos num animado jogo de futebol, onde grandes e pequenos se enfrentam com muita garra.
As peripécias não acabam, existem desilusões adequadas a todas as idades e esta é a única sessão onde deixámos escapar alguns finais (ligeiramente) felizes.
Autoria: Carolina Serranito
O Corpo Estranho
12 Julho (14:15, 69')
Comprar BilhetesO corpo enquanto coisa estranha que se sente, enquanto invólucro da alma, coisa física cuja realidade se impõe de forma inescapável: ao olharmos ao espelho e questionamos o porquê de haver uma coisa como o umbigo, por exemplo. A precária saúde e o ódio dos outros reenviam-nos para o nosso corpo. Por vezes, pura e simplesmente não sabemos muito bem o que fazer com ele, na vida ou na morte. Nestas cinco curtas-metragens, o corpo é uma “questão”: coloca-se na nossa frente, está no caminho do pensamento.
Em “O”, de Francisca Alarcão, o umbigo de uma rapariga teima em atormentá-la: mostrando sangue, aparecendo-lhe nos sonhos e nas formas redondas da natureza. Em “Autobiography of my Diabetes”, de Matthew Lancit, um relato na primeira pessoa insere as crises diabéticas no universo de deterioração corporal do cinema gore e de terror. “A Culpa é da Água”, de Ana Leonor Guia, Marta Quintanito Roberto, Ruben Pinto e Tiago Magalhães, recorda-nos das piores violências que a intolerância e o mal invocam para um corpo. “Making it Fit”, de Mariana Leal, e “Antígona, ou a História de Sara Benoliel”, de Francisco Mira Godinho procuram saber que seguimento dar ao corpo depois da morte, no sentido prático, no caso do primeiro, entrevistando dentro da comunidade LGBTQIA+; no sentido da epopeia, no caso do segundo, à medida que Sara luta dentro do seu bairro pela possibilidade de um enterro digno para o seu irmão.
Autoria: Rafael Silvestre Fonseca
Corações Partidos
12 Julho (16:15, 94')
Comprar BilhetesHá relações que não terminam nunca. Transformam-se, ecoam dentro de nós, ficam suspensas no tempo como um fio por atar. “Corações Partidos” reúne histórias que orbitam esses fins-não-fins de amor, e que navegam nas águas da memória, do silêncio, da culpa e do luto.
Em “The Perfect Past”, de Misagh Karimi, um ex-casal iraniano reencontra-se após anos de distância. O filme constrói-se num diálogo íntimo e, sobretudo, nos silêncios reveladores que o casal partilha. “Efémero”, de Matilde Almeida, é um ensaio visual e sensorial sobre o tempo, a memória e o afeto. Através de imagens de arquivo e narração, acompanhamos uma carta de amor às relações familiares e aos laços com os animais de companhia. Em “Intermission”, de Arnau Vilaró, um homem tenta dialogar com o ex-companheiro após uma possibilidade de adoção reabrir um passado comum. Entre hesitação e desejo, o filme atravessa uma Barcelona artística e contemporânea através de um protagonista em busca por sentido e apaziguamento. “A Little Kiss”, de Emília Veloso, traz-nos um olhar raro sobre a culpa. Numa narrativa que entrelaça passado e presente, seguimos uma jovem confrontada com o ato de trair e com a extensão das suas consequências. “Sol Menor”, de André Silva Santos, acompanha um homem atravessado pela rotina como professor de música e pelo luto da sua mulher. Este quotidiano parece deixar o protagonista num limbo, até que algo o sacode emocionalmente.
Cinco filmes onde cada memória é, ao mesmo tempo, ferida e cura de algo que insistiu em existir.
Autoria: Diogo Graça
Além da Montanha
12 Julho (18:50, 88')
Comprar BilhetesEntre fronteiras físicas e outras invisíveis, “Além da Montanha” reúne histórias marcadas pela deslocação, pelo trabalho e pela procura de pertença. São filmes sobre migração e classe, onde a ideia de “casa” se torna dúctil e por vezes inalcançável.
Em “Quem se Move”, de Stephanie Ricci, uma imigrante brasileira em Lisboa confronta-se com a sensação persistente de não pertencer. O filme capta a fragilidade das redes de apoio e a precariedade laboral. Um retrato íntimo sobre a vivência do “não-lugar”. “The Dissident”, de Nicolas Vimenet, segue uma mulher chinesa em França na tentativa de garantir um visto de residência. Entre dinâmicas familiares complexas, demasiada burocracia e alguma poesia, o filme constrói um olhar político subtil, onde três gerações enfrentam o racismo de formas distintas. Em “Vultosos Cumes”, de Diogo Salgado, acompanhamos um grupo de trabalhadores portugueses rumo aos Alpes. No percurso, revela-se uma tristeza particular: a de quem parte por necessidade. Entre o esforço físico e a promessa de outro lugar, o filme observa o êxodo contemporâneo de forma simultaneamente sensível e dura. “Sabura”, de Falcão Nhaga, traz-nos um casal dividido entre África e a Europa que se reencontra em Lisboa. Um casamento de silêncios, tensões familiares e partidas anunciadas desagua nesta história onde a distância emocional persiste, mesmo na proximidade.
Quatro curtas que atravessam geografias físicas e emocionais diversas, lembrando que migrar é mais do que deslocar o corpo. É negociar constantemente quem se é, e onde se pode, ou não, (sobre)viver.
Autoria: Diogo Graça
Sessão de Encerramento
12 Julho (21:20, 101')
Comprar BilhetesDepois das curtas “Boca Cava Terra” (2022) e “Monte Clérigo” (2023), Luís Campos, cuja obra se tem debruçado sobre protagonistas jovens, regressa ao Triste Para Sempre com a sua primeira longa-metragem. Nas margens do rio Douro, João, de 12 anos, vive com o pai, um homem instável que luta contra o alcoolismo e enfrenta vários demónios interiores. Contudo, o negócio pouco rentável devido às alterações climáticas e o comportamento errático do pai podem levar à sua separação.
Para lá de um delicado retrato de portugalidade que utiliza como pano de fundo uma comunidade ribeirinha nortenha e os efeitos da trágica queda da Ponte Hintze Ribeiro, Terra Vil propõe-se a refletir acerca da sociedade patriarcal e dos gestos através dos quais esta é perpetuada. Na figura do protagonista, a juventude encontra-se perante um dilema: ficar condenada às convenções morais transmitidas através das gerações, ou questionar os fantasmas da nossa história coletiva.
Autoria: Marta Batista









































